Notas sobre o III Seminário – O Comércio Exterior e a Indústria, realizado pela da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (29/Out), na palestra de Adriana Dupita, economista do Santander.

1. Estamos no contexto de desvalorização da moeda por conta da crise na China, que também nos levou a perder exportação brasileira para o nosso maior parceiro comercial.

2. Contexto de desequilíbrios setoriais, fiscais e externos. As medidas tomadas ainda não são significativos para os desequilíbrios fiscais e estamos com dificuldade de mostrar para o mercado que a crise fiscal será resolvida.

3. A China quer deixar de ser uma economia manufatureira. Em acordos comerciais ela possui algumas ineficiências que desrespeitam os acordos, como poluição, etc. Agora quer se tornar uma economia de inovação, mas o problema da economia da inovação é quando não há o fluxo livre de idéias.

4. No caso dos Estados Unidos, precisamos observar a projeção da inflação americana, pois pararam de imprimir moeda e a oscilação da taxa de juros americana tem um impacto direto no real.

5. Não é fácil exportar. Tem que planejar, pois existe um processo. A exportação é viável depois que começa, mas existe um custo de aprendizado.

6. O Brasil possui problemas sérios de competitividade por uma série de problemas internos como altos custos de manufatura, sistema burocrático, falta de boa infraestrutura, etc. É difícil exportar quando se tem uma infraestrutura ruim pois isso se torna um grande desafio para as empresas.

7. Temos visto a balança comercial em queda em ambos exportação e importação. No lado das importações existe uma queda generalizada. Os preços das exportações estão caindo por conta da desvalorização da moeda, mas isso está ajudando a aumentar a quantidade. A boa notícia é que a previsão para o ano que vem é que haverá provavelmente uma melhora nas exportações da industria.

8. No contexto macroeconômico, o aumento da exportação tem um efeito positivo sobre o crescimento da economia, pois é a forma mais fácil para acessar divisas. O mercado externo é uma opção para diversificação no momento de crise do mercado interno. A importação é importante para ter acesso à tecnologia e permite melhorar os processos internos de produtividade até que a tecnologia interna seja melhorada.

9. O Brasil é uma economia muito fechada, isso precisa mudar. Tivemos a oportunidade de fazer isso nos últimos anos mas não aconteceu. A nossa participação no comércio mundial é muito pequena. Estamos entre as dez economias do mundo (6o. PIB, OMC 2014) mas somos a 25a. em termos de participação na economia global. Uma das falhas é a falta de acordos comerciais. Nos últimos anos fechamos somente 3 acordos comerciais. Israel, Palestina e Egito (Estadão, 2013). Ficamos fora do acordo do Pacífico em 2015. Com isso perdemos oportunidades de fazer acordos através dos quais nossos produtos e serviços poderiam ser absorvidos no mercado internacional.

10. Então inevitavelmente passamos para a commoditização das exportações. Dois terços das nossas exportações são commodities. No passado exportávamos mais manufaturados. Agora estamos mais concentrados em mercados de destino como a China, pois sem acordos comerciais e com exportações commoditizadas, elas se destinam para o mercado consumidor de commodities.

11. O Brasil não tem cultura de exportação. Dados do MDIC/SECEX 2014 mostram que o numero de exportadoras corresponde a metade do numero de empresas importadoras. Pequenas e micro empresas possuem pequena participação. É preciso facilitar para que eles participarem.

12. Precisamos de melhor solução legislativa e encarar a exportação como uma relação de longo prazo, não somente para o momento de crise interna. Ela precisa estar dentro da estratégia comercial da empresa. Então a empresa precisa planejar e saber se posicionar. A operação precisa ser estruturada de forma integrada, utilizando os benefícios e incentivos ficais vigentes.

13. É importante um estudo adequado da formação de preço, sendo baseado em custo e não em mercado interno. Tem que ter proteção cambial, o cambio é volátil no Brasil pois somos a principal moeda emergente, e qualquer problema nos Estados Unidos ou na China impacta a moeda brasileira.

14. O parceiro nos mercados internacionais precisa conhecer o mercado local e tem que ser um profissional. Saber inglês é muito importante. Não basta falar pouco, é importante que o profissional saiba falar bem o inglês de negócios.

15. A participação internacional valoriza a empresa e valoriza o produto.

Enfim, estamos diante a oportunidade de trazer para todo mundo a ideia de estar inserido no mercado internacional. Esse é o convite que o cenário está trazendo: uma cultura de exportação mais disseminada no Brasil. A empresa brasileira precisa se integrar ao processo de globalização, senão não sobreviverá a vinda de competidores para o mercado interno.

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