Representantes dos Estados membro da União Europeia estiveram ontem (19) em Curitiba realizando o Seminário Econômico e Comercial na Federação das Indústrias do Estado do Paraná, com o objetivo de estudar as oportunidades de negócios e investimentos no estado.

Aproveitamos a oportunidade para participar de reuniões diretas com os representantes diplomáticos da Áustria, Bélgica, Alemanha, Holanda, Suécia, Reino Unido e Irlanda, com propostas de estreitar laços de cooperação técnica e comercial institucional, voltados ao intercâmbio técnico profissionalizante, além de projetos de desenvolvimento voltados à educação e promoção do desenvolvimento da comunicação bilíngue profissional para o ambiente econômico globalizado.

Em articulações com instituições de macro governança, apresenta-se importante o entendimento de que a realidade da capacidade profissional no Brasil varia intensamente de acordo com a região, estando os profissionais dotados de maior competência e experiência técnica concentrados nas regiões sul e sudeste do país devido à maior presença de empresas multinacionais e empresas brasileiras nas quais a cultura organizacional é corporativa.

As empresas multinacionais atuam como agentes importadores de tecnologia e cultura organizacional estruturada, consequentemente disseminando novos conhecimentos e técnicas por entre as comunidades nas quais se encontram instaladas. Além disso, com a disponibilização de melhor infraestrutura e organização política mais intensamente voltada para o desenvolvimento econômico e industrial, as regiões sul e sudeste contam com um dinamismo de maior distribuição e alcance social do resultado econômico, permitindo difusão mais eficiente da educação e capacitação técnica profissionalizante.

Já em estados das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, o mercado de trabalho ainda opera fortemente sob a cultura familiar empresarial brasileira, limitados a sistemas patriarcais de gestão e controle centralizado. Mas essa é uma realidade que vem sendo lentamente mudada devido à institucionalização das políticas governamentais de assistencialismo concentradas no incentivo à educação e à inclusão social executada nos últimos anos.

Diante a realidade distintamente polarizada do Brasil, as discussões com os representantes dos países da União Europeia nos proporcionaram a constatação de que a importação da cultura técnica profissionalizante e científica para o sistema nacional precisa ser operacionalizada de forma agressivamente estratégica, assim como destaca o Embaixador Samuel Pinheiro Guimaraes em seu livro O Desafio Brasileiro na Era dos Gigantes.

De acordo com a estratégia apresentada na literatura, profissionais e cientistas devem ser enviados ao exterior com destino aos principais centros onde o desenvolvimento tecnológico tenha alcançado o maior grau do estado da técnica, para então retornarem ao país e difundirem o conhecimento para agentes multiplicadores no sistema interno.

Em reunião com os representantes diplomáticos, abordamos também a necessidade do envio dos profissionais ao exterior em períodos mais curtos de tempo, para que a transformação interna seja executada de forma contínua e progressiva, fomentando maior dinamismo e evitando assim períodos de estagnação no desenvolvimento tecnológico e científico.

Ao conversarmos com Sharon Lennon, cônsul-geral da Irlanda, ela nos explicou que existe um sistema de ensino técnico na Irlanda que compete diretamente com o sistema de ensino acadêmico universitário, contudo o sistema técnico está diretamente ligado à indústria e, portanto, executa uma abordagem de maior aprendizado prático. No caso do Brasil, o conhecimento científico encontra-se centralizado nas universidades federais, e a correspondência com o empresariado para que ele se aplique à produção de tecnologia é feita de forma quase embrionária, sendo mais percebido em ambientes de forte presença industrial como é a região do sudeste do país, por exemplo. Falta conectividade sistêmica entre os ambientes de produção intelectual e o ambiente empresarial.

Já em conversa com Isabelle Bédoyan, da embaixada da Bélgica, exploramos as vantagens de envio de profissionais da cadeia de suprimentos para regiões como a Antuérpia, onde o sistema logístico é altamente desenvolvido operacionalmente e constituído por uma integração complexa e multimodal, que conecta as operações marítimas às regiões mais centrais da Europa.

Por fim, podemos identificar através destes exemplos a necessidade de um mapeamento dos centros de maior grau de desenvolvimento tecnológico no mundo, trazê-lo para os ambientes de articulação e estruturação das estratégias de macrogovernança no Brasil e orquestrar a aproximação cooperativa entre as instituições de governo e empresariais para execução coordenada de uma transformação mais competente e profissional da realidade interna do nosso país.


Sobre a autora:

Juliana Michelon Alvarenga é formada em Relações Internacionais e possui MBA em Business Intelligence. Experiência profissional em linguística, comércio exterior, relações governamentais, projetos e pesquisa.

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