Análise de Complementaridade entre o Processo de Descoberta do Conhecimento em Business Intelligence e as Teorias de Interdependência Complexa e Neofuncionalismo das Relações Internacionais

Palavras-chaves. Business Intelligence. Neofuncionalismo. Interdependência Complexa. Comunidades Epistêmicas. Governança Global.

Introdução

O presente ensaio visa explorar a capacidade que possuem algumas observações teóricas das relações internacionais – mais especificamente da teoria do neofuncionalismo de Ernst Haas – em influenciar a construção de modelos institucionais globais, especialmente quando atrelados complementarmente à aplicabilidade prática de data mining, destacando-se neste ensaio pela terminologia Processo de Descoberta do Conhecimento.

Durante a construção deste discurso é assumida a posição de que a teoria do neofuncionalismo e métodos de mineração de dados como processo de descoberta do conhecimento possuem forças complementares para a construção de modelos de convergência técnico-teórica para o ambiente de governança supranacional público e privado.

A escolha do tema para este ensaio surgiu a partir da observação do evento de vazio conceitual coerente gerado em 2013, técnico e político, a partir das revelações de Edward Snowden sobre a atuação da Agência Nacional de Segurança (NSA) do governo norte americano quando na conduta de intercepção de dados de comunicação para o monitoramento e espionagem de entidades privadas e agências governamentais internacionais.

O evento estimulou um verdadeiro tumulto na urgente promoção de um debate internacional multilateral sobre o tema. Descobriram-se os Estados e as instituições internacionais desprovidas de agentes coordenadores inteiramente capacitados e, principalmente, de estruturas normativas e regulatórias para aplicação devida de sanções, neste último, ou em qualquer caso onde a espionagem nos sistemas transnacionais de informação e de comunicação ocorre em detrimento da soberania dos Estados[i].

A partir deste evento, pudemos observar o furor público na tentativa de construção de alianças multilaterais entre os Estados para a firmação de um instrumento legal com os fundamentos para regulamentação e governança internacional da internet.

Países como Brasil e Alemanha posicionaram-se aliados na busca de um marco civil multilateral, e apresentaram à Organização das Nações Unidas um projeto com regras sobre o direito à privacidade na internet, sob a alegação de que a vigilância ilegal das comunicações e sua intercepção são atos que ameaçam os fundamentos de uma sociedade democrática[ii].

Com ênfase na constatação da considerável falta de aplicação dos princípios fundamentais da filosofia política na prática de governança pública e privada, encontra-se neste ensaio, primeiramente, uma breve explicação do sistema anárquico internacional como objeto de estudo das relações internacionais, seguido de uma síntese das construções teóricas do neofuncionalismo em sua objetividade descritiva sobre a dinâmica incremental de relações entre os órgãos intergovernamentais de Estados parte e a progressiva concessão de poder à instituição supranacional oriunda do processo de integração regional.

A escolha da teoria do neofuncionalismo para análise neste ensaio é proposto através da hipótese de que as agências governamentais internacionais não possuem os recursos necessários para a firmação de um acordo internacional suficientemente coercivo para a governança global dos sistemas de informação, visto que estes não são integrados.

Primeiramente, porque a complexidade técnica e política envolvida no processo de construção de um possível instrumento de regulamentação unificado e de aplicabilidade global inviabiliza um debate congruente à urgência temporal na qual a necessidade se apresenta.

Segundo porque a competência relativa à definição do complexo conjunto interdependente de regras e normas técnicas aplicáveis de fato encontra-se guardada em grandes empresas tecnológicas do setor privado, visto que são elas as detentoras de infraestrutura, tecnologia e do conhecimento amplamente trafegado pela internet e armazenado em bancos de dados não estruturados ao redor do mundo.

Com isso, supõe-se neste ensaio a probabilidade do surgimento de uma coalizão não governamental[iii] para a estruturação da nova ordem regulatória para condução das relações internacionais no setor de tecnologia da informação, devendo o surgimento deste movimento ser, consequentemente, instrumentado por intermédio de comunidades epistêmicas na forma de uma nova instituição.

 Teorias das Relações Internacionais: o Neofuncionalismo

O sistema político internacional é um sistema ordenado horizontalmente, cujos principais atores constituintes são os Estados Nacionais que, por não abrirem mão de sua soberania, não admitem a existência de hierarquias com poderes supranacionais.

Essa estrutura política descentralizada impede a existência de uma entidade última de poder que possa estabelecer e aplicar normas e políticas unificadas para a governança global do sistema, fazendo com que o comportamento internacional seja regido, em última instância, por ações de cooperação e conflito entre os atores parte.

Este sistema anárquico, tal como o denominamos, e o desfecho e consequências da dinâmica de relação entre os atores que nele atuam, constituem o principal objeto de reflexão e conjectura das teorias de relações internacionais.

Teorias vastamente difundidas pelo idealismo defendem que a construção meticulosa e apropriada de organismos internacionais, atrelados ao desenvolvimento progressivo do direito internacional, devam superar a ausência deste ator último de governança global através do exercício de influência, em prática limitada, sobre o posicionamento político das unidades que compõem essas instituições.

Em contraste, as formulações teóricas realistas aconselham os Estados a acumularem a maior quantidade possível de recursos de poder (i.e. recursos naturais, artefatos bélicos, tecnologia, etc.), a fim de diferenciar o seu posicionamento frente aos demais atores constituintes do sistema, depreciando, em suma, a importância primordial de relações de cooperação para o benefício mútuo e o bem estar comum entre as partes.

Entre os extremos teóricos do idealismo e realismo surgiu a teoria do funcionalismo e seus aperfeiçoamentos posteriores, que direcionaram alguns dos seus intelectuais adeptos à construção da teoria do neofuncionalismo.

Tais desdobramentos teóricos defendem um processo amparado por instituições internacionais supranacionais liderando a integração incremental do sistema, ao invés da dicotomia de cooperação e conflito em um sistema anárquico.

Na integração incremental proposta pelo neofuncionalismo, os estágios iniciais são aportados por iniciativas limitadas de cooperação, abrindo espaço, futuramente, para a expansão dinâmica e gradativa de cooperação institucionalizada pelo sistema integrado, através da transferência progressiva de competências entre os atores envolvidos. Este quadro teórico evidencia a importância da instituição no processo coletivo de tomada de decisão, sobreposto à influência do ator singular componente do sistema internacional, nos domínios dos processos decisórios coletivos.

Emergindo para descrever o processo de integração da comunidade europeia, a teoria do neofuncionalismo constitui, portanto, uma teoria de integração política e de mercado de uma região específica através da união entre diferentes Estados nacionais. Este processo de integração responde à migração progressiva do poder de decisão dos Estados para a nova comunidade, que passa a ser a instituição intergovernamental supranacional a regular e desenvolver as políticas conjuntas para o grupo de Estados.

Em sua proposta, a teoria do neofuncionalismo busca descrever os aspectos essenciais da dinâmica do processo de integração através da análise da configuração institucional da própria comunidade transnacional formada a partir deste processo. Essa análise providencia evidências que, quando a instituição supranacional passa a coordenar as decisões coletivas de forma a providenciar as soluções buscadas pelo grupo, os Estados passam a recorrer ao órgão supranacional com maior frequência. Essa dinâmica providencia o próprio impulso necessário para fortalecer o processo de integração.

Em notas complementares à teoria do neofuncionalismo, encontramos três elementos essenciais necessários para liderar o caminho da integração por uma abordagem institucional: i) atores e grupos com objetivos e interesses transnacionais; ii) organizações supranacionais com capacidade de regulamentar e tecer soluções para eventuais disputas; e iii) a estrutura normativa que defina a política a ser integrada.

É a partir da premissa de processo decisório institucionalizado que é proposto, neste ensaio, a revisão da contribuição teórica exercida pelo neofuncionalismo, e seus aspectos de complementaridade entre esta teoria e o processo de descoberta do conhecimento, no processo de construção de modelos de governança global da informação.

 Comunidades Epistêmicas e a Personificação do Poder

O conceito central do termo “comunidades epistêmicas”, quando utilizado no contexto de governança pública, está enraizado na associação em rede de grupos de especialistas detentores de conhecimento técnico e científico específico que, em virtude deste conhecimento, possuem o poder de exercer grande influência na criação e manutenção das instituições sociais e em suas políticas de governança que guiam o comportamento da comunidade internacional.

A demanda por informações técnicas sobre determinado assunto surge com maior frequência nos momentos de incerteza, visto que a capacidade da tomada de decisão se restringe à atuação política quando as ações exigem fundamentação técnica devido à natureza de crescente complexidade dos temas pertinentes à agenda internacional.

O papel que essas redes epistêmicas podem exercer se refere à identificação dos interesses das instituições, ao mapeamento e estruturação apropriada dos temas para a promoção e execução do debate público, a proposição de políticas específicas e a identificação de pontos importantes para as negociações internacionais multilaterais.

Há de se compreender que o comportamento das instituições é fortemente influenciado pelas pressões sistêmicas, fazendo com que os atores políticos exerçam seu poder de decisão com base nos interesses subjetivos das organizações e dos Estados que, por visões corrompidas da natureza de interdependência e complementaridade multipolar da comunidade internacional, exercem o poder político público em busca última de riqueza e poder.

Contudo, no que tange as esferas políticas privada e pública, podemos observar claramente que muitos conceitos fundamentais contidos na ciência e na filosofia política não são aplicados às práticas de governança, pelos atores que as exercem. Podemos, a fim de defender este contexto, resgatar os princípios de personalização e personificação do poder da filosofia política.

Quando o ator político assume o poder de governança, surge intrínseco ao evento, a necessidade de diferenciação da subjetividade do indivíduo ao seu papel de gestor da coisa comum ou coisa pública. Neste sentido, há de se desenvolver, por intermédio de seu papel de representatividade em governança, a personificação do poder.

A personificação do poder representa a neutralização da subjetividade frente ao papel de representante do poder comum ou poder público. Idealmente, ao assumir o papel de ator e interlocutor político na gestão da coisa comum ou da coisa pública, o indivíduo exterioriza os interesses baseados na construção do modelo social ou comunitário, em consensualidade, pela coletividade comunitária à qual o ator pertence independente do nível de divisão social que ele representa. Deste modo, o ator político articula através da persona política exteriorizada da sua subjetividade particular.

Enquanto a idealização da figura política é fundamentalmente baseada em princípios éticos, a prática política tem sido distorcida por valores de superiorização e poder, compartilhadas pela figura do indivíduo, das instituições e grupos de interesses em geral estruturados por forças predominantemente políticas e econômicas.

O surgimento das comunidades epistêmicas responde ao conceito de personificação do poder, pois tal qual é considerada a partir das seguintes premissas: i) crenças de princípios e normatividade compartilhadas; ii) noções de validação compartilhadas; iii) crenças causais compartilhadas;  e iv) uma organização de políticas comuns. Ou seja, a expansão da rede de profissionais reconhecidos pela sua competência e especialidade científica em determinado assunto é instruída pela égide da persona ideológica e científica consensual.

A existência das premissas determinantes para a atuação das redes dos profissionais especializados como comunidades epistêmicas é necessária pela consideração que há em haver, na realidade social multipolarizada, a subjetividade na realidade interpretada, e, portanto, as noções de validação compartilhadas asseguram a exteriorização da decisão personificada, e não personalizada.

Neste ponto, podemos explorar a justificativa da necessidade prioritária de exteriorização do interesse público da pessoa política devido às diferenças existentes entre os atores subjetivos e as suas interpretações do conhecimento inerente à natureza da realidade multipolarizada. Nas próprias palavras de Peter Haas, o mundo e a nossa representação do mundo não são isomórficos, e a nossa concepção da realidade é mediada por suposições, experiências e expectativas[iv], individuais e subjetivadas.

Baseada na concepção que conhecimento não é conhecimento correto, mas sim conhecimento aceito, as comunidades epistêmicas se baseiam no processo de construção de conhecimento consensual para que possam ser difundido por outros atores. Devemos então ressaltar que a personificação do poder neste processo de difusão de conhecimento, por membros de comunidades epistêmicas, deve seguir à prática de tomada de decisão considerando essencialmente aspectos de interdisciplinaridade e fins sociais para o âmbito de institucionalização da governança.

A institucionalização da governança envolve, portanto, não somente o quadro de órgãos institucionais criados e mantidos pelo Estado e pela estrutura pública de políticas internacionais, mas envolve também as comunidades epistêmicas através das quais relações políticas são construídas e disseminadas para a macroestrutura de poder.

“It is the political infiltration of an epistemic community into governing institutions which lays the groundwork for a broader acceptance of the communities beliefs and ideas about the proper construction of social reality.”[v]

A partir da observação supracitada de Haas, podemos entender claramente que comunidades epistêmicas representam canais através dos quais novas ideias originadas na sociedade podem infiltrar as instituições governamentais com a finalidade de serem incorporadas às formulações de suas políticas públicas.

Com isso surge a necessidade de esclarecer que a compreensão de mundo dos atores interlocutores das ideias sendo difundidas nas instituições, e as suas práticas, são formadas e influenciadas pelos sistemas de crenças, códigos operacionais e mapas cognitivos aos quais os atores foram expostos ao longo de suas vidas. Esses fatores são determinantes no condicionamento que exercem sobre a reação que indivíduos têm em situações em que vivenciam incerteza e necessidade de tomadas de decisões.

Mais além, devemos considerar que a compreensão dos atores sobre a compreensão do próximo é também moldada por suas próprias crenças, propósitos e intenções. Isso pode, com frequência, causar a interpretação incorreta dos sinais recebidos sobre a compreensão do outro, e a combinação dos sistemas de crenças, códigos operacionais e mapas cognitivos não somente influenciam a interpretação de mundo dos atores como podem, neste sentido, eleger barreiras seletivas quanto ao tipo de informações que eles consideram válidas. Mesmo em ambientes onde há plena transparência quanto ao posicionamento de opiniões, estes podem ser fatores causadores de conflitos e até mesmo rompimentos nas relações de cooperação.

Na ocasião de atores tomadores de decisão não epistêmicos não possuírem uma forte opinião ou forte conhecimento sobre determinados temas nos quais devem eleger regulamentações, a influência de comunidades epistêmicas pode tornar-se ainda maior na estruturação de parâmetros de comportamento das instituições, consequentes de tais regulamentações.

Porém, antes das instituições ou dos estados concordarem em como reagir a problemas específicos, se faz necessária a chegada a um consenso sobre a natureza e o escopo do problema e de como o problema se relaciona com outras áreas adjacentes. Esse consenso, baseado em conhecimento científico, torna-se base para o reconhecimento de relações de causa e efeito entre o problema, seus desdobramentos e outras áreas que possam ser influenciadas.

Em consequência disso, Peter Haas afirma que governos e organizações aprendem através da evolução de conhecimento consensual[vi], e que a estrutura das organizações na qual o conhecimento consensual é difundido é de fundamental importância. Isso porque as comunidades epistêmicas exercem sua influência nas organizações por ocuparem nichos específicos dentro das agências de regulamentação e formulação das políticas, e a aplicação do conhecimento consensual depende da habilidade que estes grupos epistêmicos possuem em ganhar e exercer poder burocrático dentro de tais instituições.

 Interdependência Gerenciada

À luz do pensamento de Ernst Haas, que se descreve como um escritor reflexivo neoidealista e não racionalista, todas as instituições internacionais são idealizadas e constituídas com a finalidade de solucionarem problemas que exigem ações colaborativas no ambiente multipolar.

O eixo de argumento em sua obra incita que os problemas a serem resolvidos pelos organismos internacionais são redefinidos por dois processos distintos: adaptação e aprendizado. Estes dois processos possuem diferentes relações de dependência de novos conhecimentos como suporte para a tomada de decisão.

O processo denominado adaptação demonstra que o comportamento dos atores sofrem alterações conforme as mudanças de funcionalidade ocorrem naturalmente nas organizações, sem que valores fundamentais de tais mudanças sejam questionados ou reavaliados. Além disso, nas organizações que funcionam sob a ótica do processo de adaptação, e nas quais triunfa a racionalidade técnica, o propósito último da organização não é questionado, mas sim é dada ênfase à alteração dos meios de ação, e não à finalidade última das propostas. Neste caso, os novos propósitos são incorporados sem que haja preocupação com a coerência entre os novos objetivos assumidos e os objetivos pré-existentes.

Por sua vez, o processo denominado aprendizado demonstra que o comportamento dos atores muda enquanto os atores questionam as teorias implícitas à defesa da existência dos programas da organização e os valores dos quais eles se originam. Enquanto isso, regidas pela racionalidade substantiva, o propósito último da organização é questionado e redefinido à medida que os novos propósitos são apresentados. Nestas organizações, os novos problemas são concebidos com base em conhecimento consensual fornecido por comunidades epistêmicas.

Ernst Haas nomeia essa dinâmica de reavaliação do propósito da organização de interdependência gerenciada, por ser um processo de tomada de decisão mediada por conhecimento. Assim, o autor se propõe a esclarecer o papel que a evolução do conhecimento exerce sobre a redefinição de interesses nas organizações e afirma, contudo, que este modelo é raramente encontrado enquanto que o processo de adaptação é identificado com maior frequência nas organizações atuais.

O autor destaca que o conhecimento disponível sobre os problemas enfrentados pelas organizações influencia a maneira como tomadores de decisão definem os interesses a serem defendidos. Assim, à medida que conhecimento científico se torna conhecimento comum e inovação tecnológica torna-se um instrumento das organizações, a ciência torna-se, como resultado da mescla das finalidades políticas e de conhecimento técnico, um componente da política na concepção e definição e dos interesses articulados e defendidos pelos atores.

A partir do momento em que o conhecimento considerado para as tomadas de decisão é conhecimento consensual, espera-se que os atores o utilizem em busca da estruturação do interesse comum para conduzir o desafio de traduzir este interesse comum em políticas e programas estruturantes das organizações.

A proposta de explorar a noção do que se entende por conhecimento consensual é o maior desafio para chegar ao entendimento de como uma nova instituição – ou qualquer instituição – pode chegar ao êxito em solucionar os problemas comuns entre seus Estados partes, propósito da instituição. Isso porque tal êxito depende da habilidade em transcender barreiras culturais e históricas entre Estados independentes, detentores de memórias históricas divergentes e comprometimentos culturais amplamente diferentes. Somente assim para se estabelecer, de forma contínua, significados transculturais e transideológicos compartilhados.

 Processo de Descoberta do Conhecimento

Análogo ao crescimento exponencial do volume de dados na esfera das organizações informatizadas emerge a necessidade de conglomerar, processar, validar e extrair informações dos conjuntos armazenados de dados de forma que sejam utilizados por tomadores de decisões, não limitados a, porém principalmente, ambientes de negócios e governamentais.

O processo de descoberta do conhecimento, em muitos momentos definido como data mining ou mineração de dados, surgiu, pela própria necessidade mencionada, para atender essa demanda de processamento de dados de forma que forneça ao tomador de decisões uma leitura de eventuais parâmetros de comportamento.

As técnicas e metodologias aplicadas ao reconhecimento desses parâmetros têm se tornado o tema de importante investigação. Este ensaio busca, contudo, explorar o processo global de descoberta de conhecimento valioso para as organizações, que quando aplicado, busca de forma comparativa entender, adaptar e aplicar este conhecimento na previsão de eventos futuros, utilizando métodos estatísticos de análise exploratória com foco na extração ou descoberta de modelos preditivos, melhor aplicados a grandes estruturas de dados.

Essas técnicas permitem às organizações ou aos tomadores de decisão leituras coerentes de vastos volumes de dados que, sem essa aplicação, não fazem muito sentido e acabam por se apresentar humanamente impossível em curto espaço de tempo e recursos limitados.

Sem a intenção de aprofundar o presente ensaio nas implicações técnicas sobre a construção do arcabouço sistêmico necessário para suportar tal execução do processo de descoberta do conhecimento dentro das organizações, o diagrama apresentado através da figura 1 se propõe suficiente para o entendimento global do processo.

Figura 1. Processo de Descoberta do Conhecimento[vii]

Conclusão

Concertar uma ação multilateral institucionalizada é um empreendimento político fortemente impulsionado pelos interesses específicos e diferenciados pertencentes às partes da coalisão de Estados que se unem com tal propósito.

Exercer tal regência exige considerações complexas sobre como as partes acordam sobre os valores e interesses: o quanto de seus interesses estão dispostos cada Estado parte a ceder ou ajustar em benefício de atingir o propósito comum e último da organização, e principalmente em como reconsiderar e reavaliar esses interesses de forma coletiva.

Os passos para construção de tal instituição estão cabalmente idealizados nas construções teóricas do neofuncionalismo.  Ao estarem, as filosofias de organização política institucionalizada, atreladas ao componente analítico do processo de descoberta do conhecimento, os recursos que deste conjunto se originam proporcionam transcrições expressas como mapa orientador do processo de institucionalização do interesse multilateral negociado através da definição do conhecimento e interesse consensual.

As ferramentas de suporte de tomada decisões ao nível organizacional tornam-se ferramentas de planejamento expressivamente explícitas e menos dependente da capacidade humana de exteriorizar a persona política sem que a subjetividade inerente à própria natureza do ser a entreponha. E mais importante, a transparência que as ferramentas providenciam para a instituição rever e reconsiderar os propósitos da organização é atrelada ao título de instrumento de execução da democracia direta e participativa, sem necessidade, inclusive, de processos por meio de representatividade, anulando o risco de interferência da subjetividade do ator político representante.

 Referências

Alexander, Jeffrey C. Neofunctionalism and After. From Functionalism to Neofunctionalism: Creating a Position in the Field of Social Theory. pp. 3- 24. 1998.

Haas, Ernst B. When Knowledge is Power: Three Models of Change in International Organizations. Berkeley: University of California Press, c1999.

Haas, Peter M. International Organization. Knowledge, Power, and International Policy Coordination. Introduction: Epistemic Communities and International Pollicy Coordination. (Winter, 1992), Vol. 46, No. 1, pp. 1-35.

Sweet, Alec. S. Neofunctionalism and Supranational Governance. Yale University, 1992.

[i] Em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, organizada para debater as denúncias de espionagem no país, o então Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antônio Patriota declarou que a atuação de espionagem em território brasileiro representou desrespeito à soberania do Estado em virtude da violação da legislação interna do país, onde o sigilo das comunicações é garantido pela Constituição Federal e podem ser interceptadas somente mediante ordem judicial por meio de procedimento específico previsto em lei. Agência de Notícias do Senado Federal, 10 de julho de 2013.

[ii] O Estado de São Paulo, 01 de novembro de 2013.

[iii] Como indício de que este movimento se inicia, podemos citar a proposta feita pelas principais empresas do setor de tecnologia nos Estados Unidos, que, através de uma carta apresentada à Casa Branca em dezembro de 2013, solicitam a reforma do programa de monitoramento e vigilância exercido pelo governo. A iniciativa recebeu o nome de Global Government Surveillance Reform.

[iv] Peter Haas, Introduction: Epistemic Comunities and International Policy Coordination.

[v] Ibid, p. 27.

[vi] Ibid, p. 30.

[vii] Emerald Insight, Eletronic Library. A new efficient approach for data clustering in electronic library using ant colony clustering algorithm.

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