A transição paradigmática e a resistência no comportamento humano

Não cabe mais priorizar a ideia de que no Brasil ou no mundo a crise seja econômica, política ou de mudança climática. A crise é cultural, é de comportamento humano. E enquanto esse problema não for endereçado com a devida importância, viveremos por entre recessões e guerras, desigualdade social, desastres ambientais e reformulações estruturais e ideológicas, diferenciando-nos apenas quanto ao contexto histórico, colhendo os mesmos resultados enquanto sociedade mais ou menos globalizada e detentora do avanço tecnológico.

Também não cabe mais pensar em Estado Nação sem priorizar atenção à justaposição que há entre as medidas internas e a política externa adotada institucionalmente. É indiscutível que hoje os impactos ressoam além das fronteiras.

Devido à globalização, e assim como explica James Glattfelder ao falar sobre complexidade, o alto grau de interconectividade do sistema internacional infere um sistema de alta vulnerabilidade e de difícil instabilidade, pois o reflexo das tensões locais se manifesta de forma epidêmica ao se espalhar pelo sistema.

Ao que tudo indica, a era industrial amadureceu e a produção de bens de consumo – e mais amplamente a cadeia global de suprimentos – será consolidada a partir de agora através da automação, não representando mais a mola propulsora do mecanismo de empregabilidade humana. A partir disso, entendemos que a Sociedade Pós-Industrial é a sociedade do conhecimento – do desenvolvimento e aprimoramento tecnológico – embasada não em uma economia de competitividade, mas em uma economia colaborativa, justamente em virtude da característica de ampla interconectividade. Ao compreendermos de forma clara e coletiva que vivemos em um momento de transição paradigmática, poderemos definir planos de ação mais apropriados para o conserto de uma ampla transformação.

O impasse parece ser, entretanto – e em especial no contexto da cultura brasileira – aceitar o desafio da mudança sistêmica e suas implicações sobre a psique do indivíduo como integrante subjetivo de uma comunidade humana. A transformação da cultura, ou seja, a reavaliação e reestruturação do sistema de crenças, o aprimoramento da ética e da moral, a alteração de padrões de comportamento, depende em grande parte da disposição natural e não coercitiva do indivíduo. É uma tarefa de transformação da consciência do homem através da educação e da iniciativa privada, e não primordialmente da transformação do ambiente no qual ele está inserido.

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