Ad Hoc: Impactos para o Brasil de acordos de livre comércio com EUA e União Europeia

Estudo realizado em parceria pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) e Fundação Getulio Vargas (FGV) avalia a posição do Brasil em cenários de acordos de livre comércio com EUA e União Europeia e mostra projeções em que a participação na parceria transatlântica (TTIP) elevaria as exportações brasileiras em 19,62%, importações em 25,48% e haveria uma alta no PIB de 4,26%.

As considerações no lançamento do estudo foram apresentadas em encontro multissetorial por Vera Thorstensen e Lucas Ferraz, ambos do Centro de Comércio Global e Investimentos da FGV. O evento contou também com a participação de Paula Aguiar Barboza, conselheira do Departamento de Negociações Internacionais do Ministério de Relações Exteriores, além de representantes do setor privado.

Apesar da observação de que a União Europeia é hoje prioridade nas negociações do governo, a visão é a de que o Brasil deve se aproximar dos EUA, visto que uma aproximação com este país viabilizará uma parceria mais aprofundada com o bloco europeu. Estes são os principais parceiros para a uma participação mais significativa do Brasil na cadeia global de comércio.

O problema é que temos exercitado o comércio internacional com “small players” e o Brasil está sofrendo com a falta de competitividade. A grande barreira são as barreiras técnicas. Há necessidade de coerência entre as agencias regulatórias, trazer as informações técnicas dos outros países e encaminhá-las para o setor produtivo doméstico para que possamos produzir com padrões de reconhecimento mútuo. Para tanto, precisamos mudar a mentalidade das agencias internas de regulamentação e passar a “conversar com o mundo”.

Um fator importante destacado pela conselheira do MRE é que a maior inserção do Brasil no comércio internacional dependerá de uma avaliação da sua participação no Mercosul. É preciso ressaltar que não se pode abandonar o projeto político de integração regional, pois há uma grande integração da cadeia produtiva, além de profundas implicações sociais e culturais. Porém, precisamos de mais autonomia nas negociações. E se o país se direcionar para a flexibilização, é preciso utilizar a flexibilidade que o Mercosul permite.

Está muito claro que é o momento para o Brasil transformar sua política de inserção internacional em uma política mais agressiva, que o permita sair do isolamento e ingressar ativamente nas cadeias de comércio global. O transatlântico e o transpacífico são os grandes acordos e devemos negociar conforme os termos. Devemos repensar o Mercosul e ir com ou sem o bloco. Devemos nos preocupar mais com a produtividade interna e abrir nosso mercado para serviços. Pensar quais são os parceiros comerciais para se integrar e definir uma agenda que pode ser feita, principalmente, sem a dependência do governo.

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