As negociações internacionais dirigidas pelo governo brasileiro no âmbito do comércio internacional dependem, em última instância, da sua relação com o Mercosul.

Além disso, com a nova formatação da política externa norte-americana, que se projeta em uma postura de protecionismo, e o retrocesso na integração do bloco europeu, o Brasil vivencia um momento fragilizado em seu processo de abertura, que já tem sido plenamente criticado por sua estagnação na corrida junto aos grandes mercados[i].

Objetivando explorar as alternativas em curso sobre o mecanismo de acesso ao livre comércio no contexto de um empreendimento coletivo para a internacionalização da produção brasileira e de desenvolvimento e fortalecimento da cultura exportadora no país, pautado e fundamentado em amplo contexto institucional, destaco neste artigo as seguintes observações:

1. O aporte financeiro realizado por instituições públicas e privadas brasileiras, quando investido na participação da indústria nacional em feiras setoriais no exterior, providencia uma pontuação de caráter macroeconômico na política de internacionalização da economia nacional e facilita a inserção de produtos e serviços brasileiros no mercado externo;

2. É essencial o profundo conhecimento sobre os acordos comerciais dos quais o Brasil é signatário, de modo a promover a aplicação de preferenciais tarifários nas estratégias de precificação dos produtos e serviços brasileiros no exterior. Em especial, precisamos ampliar o entendimento das empresas brasileiras sobre o Acordo de Complementação Econômica ACE no. 35 Mercosul/Chile, para o reconhecimento do acesso ao livre comércio internacional para o Brasil, visto que o Chile, como mercado plataforma, apresenta condições políticas e estruturais significativas para a construção de uma estratégia de expansão internacional da economia brasileira que engloba, objetivamente, ações para o curto, médio e longo prazo;

3. Curto Prazo: Observa-se como estratégia de curto prazo o conjunto estruturado de ações para o ingresso de produtos e serviços brasileiros no mercado externo, executadas com o objetivo de exportação direta para as cadeias locais de suprimento. Neste sentido, a execução de projetos de participação da indústria brasileira em feiras internacionais especializadas posicionará o negociador brasileiro no centro do que se apresentam importantes encontros setoriais nos mercados destino, proporcionando condições facilitadas para o início de negociações com compradores, importadores e distribuidores locais de produtos e serviços;

4. Médio Prazo: Observa-se como estratégia de médio prazo o conjunto estruturado de ações executadas no âmbito do Acordo de Complementação Econômica ACE no. 35 Mercosul/Chile para o estabelecimento de parcerias industriais no exterior que objetivam a transformação parcial final de produtos brasileiros destinados à exportação para os demais mercados internacionais com os quais o Chile possui acordos de livre comércio. Estas ações devem ser, de forma complementar e integrada, amparadas por projetos de promoção comercial nos mercados de destino final;

e, por fim

5. Longo Prazo: Observa-se como estratégia de longo prazo o conjunto estruturado de ações que objetivam o estabelecimento de subsidiárias manufatureiras no Chile, amparadas pelo Acordo de Complementação Econômica ACE no. 35 Mercosul/Chile. Os projetos de tal natureza estarão categorizados entre o princípio dos estágios mais avançados no processo de internacionalização de negócios. Tais relações de investimento direto contribuirão de forma significativa para o estreitamento das relações bilaterais Brasil – Chile e mais adiante para a reavaliação do posicionamento político do Brasil na América do Sul, expandindo e integrando a cadeia produtiva regional, fortalecendo os projetos de integração social, econômica e política da instituição brasileira, e ampliando assim o fluxo externo de intercâmbio cultural e de tecnologia essenciais para o desenvolvimento nacional.

[i] Brasil no fim da fila do livre  comércio. Jamil Chade, O Estado de São Paulo. Publicado em 22 de Maio de 2016.  Acesso em 06 de Dezembro de 2016.

Autoria: Juliana Michelon Alvarenga, BSc. Relações Internacionais; MBA Business Intelligence. [julianama@aldeotaglobal.com].
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